Depoimento de Dagmar da Costa
   
 

O meu nome é Dagmar Albano Alexandre da Costa, sou Guineense, nasci em Bissau. Fiz os meus estudos primário e secundário em Bissau. Após terminar o ensino secundário, vi a Faculdade de Direito de Bissau (FDB) como a única instituição do ensino superior do país que satisfaz as minhas ambições e aí ingressei. Terminei a minha licenciatura em julho de 2017, tendo obtido a classificação que permita o ingresso no corpo docente da FDB. Do ano zero ao 3° ano do curso na FDB, estudei na condição de estudante trabalhador.

Dava aulas numa escola primária e assim podia cobrir as despesas do curso, minimizando o grande fardo que os meus pais vinham carregando.

No final do ano lectivo 2014/2015, ganhei uma bolsa interna do Instituto Camões. A bolsa cobria as minhas propinas e um subsídio mensal de 66.000 xof, um valor correspondente a 100€. Usufruindo da bolsa, decidi deixar de dar aulas e concentrar todo o esforço no estudo. Após a licenciatura, as expectativas eram altas porém, acabou por acontecer alguns imprevistos que são contas do outro rosário que não adianta trazer aqui.

Fiz o meu último exame oral numa sexta-feira que culminou com a minha licenciatura. E, logo na segunda-feira a convite do meu professor, Professor Doutor Januário Pedro Correia, integrei o escritório dos Advogados Quid Juris como advogado estagiário.

No primeiro semestre do ano lectivo 2017/2018, trabalhei como docente na Universidade Jean Piaget da Guiné nas cadeiras de Ciências Políticas/Sistema Eleitoral e História do Direito e no segundo semestre fui reconduzido para as cadeiras Direito Constitucional e Direito Financeiro. Ainda no segundo semestre deste ano trabalhei como docente da Cadeira do Direito Bancário na Universidade Lusófona da Guiné.

A minha candidatura para bolsa do Projeto Pax INTRA-ÁFRICA aconteceu num momento bastante difícil. Tinha perdido uma excelente oportunidade de conseguir uma bolsa de Mestrado para Portugal, que a sua embaixada na Guiné oferecia. Depositei a minha candidatura onde disponibilizo os meus contactos (telemóveis e email). Fui participar num curso de verão em Lisboa numa viagem de finalistas da FDB. E, quando foram publicados os resultados finais do meu nome constou candidato incontável. Fiquei arrasado com a situação, tentei reclamar (pois, julgava que o razoável seria, se os números não passassem podiam tentar por email como uma das opções) mas, sem sucesso.  Foi neste momento de pesadelo que fui informado pelo Diretor da FDB, Mestre Alcides Gomes, sobre a bolsa e a Universidade de acolhimento, ao mesmo tempo, indicou-me o site do projeto.

A notícia da bolsa não foi uma alternativa, mas uma nova oportunidade, pois a outra foi como foi. Abri a página do projeto na Internet, vi que eram apenas duas vagas para quase toda África. O projeto não dispõe de nenhum representante na Guiné-Bissau, apenas nos restantes quatro países de PALOP porém, não desisti. E, disse a mim mesmo: as vagas são duas, apesar disso, eu sou apenas uma pessoa. E onde precisam de duas pessoas com certeza uma pessoa só pode caber. E essa pessoa pode ser eu.

Foi com essa determinação que avancei e preparei todos os documentos com o apoio do Mestre Alcides Gomes e enviei para o email disponibilizado na página do projeto para deposição das candidaturas. Quando recebi a notificação dos resultados, vi que a minha candidatura estava em primeiro lugar. Dei graças a Deus, a minha Faculdade e todas as pessoas que tem me acompanhado ao longo do meu curso. Agora neste novo desafio, espero ter sucesso e corresponder as expectativas da minha família e de todos aqueles que depositaram a sua confiança no meu potencial. E o projeto em especial, que me deu esta soberana oportunidade para seguir os meus sonhos de nunca me contentar com a licenciatura.

Para mim, é um grande orgulho ser o primeiro Guineense a conseguir esta bolsa. E espero ser primeiro de muitos que irão conseguir, desde já que as suas candidaturas serão avaliadas com os mesmos critérios dos demais candidatos das outras nacionalidades, tal como aconteceu com a minha. Pois, a Guiné-Bissau e a Lusofonia em geral precisa de especialistas para fazer face as demandas da globalização.

Apresente já a sua candidatura!

 

    Depoimento de Dídia de Carvalho

 

Eu sou Dídia Chimene da Silva Gonçalves Carvalho Alves de Carvalho, sou sãotomense, casada e mãe de 2 filhos. A minha profissão é polícia. Sou a segunda subchefe da Polícia Nacional de São Tomé.

Quando ouvi falar do projecto Pax Lusófona, achei que era uma oportunidade para mim de realizar o meu sonho em especializar-me em Direito. Por isso, não hesitei-me em concorrer.

Até o resultado sair, foram momentos de muitas expectativas e oração para que tudo dê certo. Graças a Deus e aos colaboradores deste projecto consegui. Fazer parte deste projecto é uma oportunidade que caiu do céu como uma dádiva. Com este projecto, espero capacitar-me melhor para ser uma boa cidadã sãotomense e do mundo. Gostaria de agradecer à Deus pela sorte em ser a primeira bolseira sãotomense eleita neste Projecto Intra-África Pax Lusófona. Também agradecer o Projecto pelo cuidado e bons préstimos que tenho recebido desde a fase da inscrição até a minha estadia em Cabo Verde. Sei que a melhor maneira de vos agradecer é dar o meu melhor de forma a ter um bom aproveitamento.

Faço votos para que outros consigam beneficiar também deste grande e nobre projecto.

Muito obrigada.

   

 

 

 

 Depoimento de Ussumane Mané

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Sou Ussumane Mané, guineense e natural de Bissau. Cidade onde praticamente fiz a minha vida acadêmica. 
Comecei os meus primeiros passos no mundo acadêmico nas escolas informais do meu bairro (Reno Gã Biafada) que funcionavam debaixo das mangueiras outrora no quintal de uma casa.
Nela aprendemos, sobretudo, as ciências pesadas (p/ex. a matemática); posteriormente fui inscrito na escola Básica de Missira (fiz nela 1¤ a 6¤ ano), depois fui para o liceu Samora Moisés Machel (onde fiz o ensino secundário e complementar, isto é, do 7¤ a 12¤ ano).
Terminado o 12¤ ano de escolaridade em 2012, estava eu indeciso sobre o curso a fazer, pese embora tinha imensa paixão pela Economia. Entretanto, eu e mais algumas colegas (do liceu) decidimos ir inscrever no teste de ingresso à Faculdade de Direito de Bissau, uma instituição do ensino superior muito procurado no país pelos jovens. Felizmente, no seio dos concorrentes (mais de 5 centenas) consegui entrar e fiz a licenciatura em Direito e Menção a Administração Pública dentro do ano previsto (5 anos).
Depois desto, tive oportunidade de fazer alguns estágios (no escritório de advocacia do Mestre Carlitos Djedjo e depois nos Serviços da Viação e Transportes Terrestre).
Como o meu desafio académico não é só me contentar com a licenciatura, não obstante o país não tem ainda o curso pós-licenciatura, quém o quer fazer terá que sair do país (facto que depende da condição financeira), soube do Projeto Intra-África Pax Lusófona no final do ano 2019, pois um colega Dr. Dagmar (quem aproveito agradecer pelas informações partilhadas) tinha concorrido e foi selecionado no primeiro chamamento aberto. Daí comecei a seguir as informações do Projeto no seu site e na página do Facebook.
No entanto, quando foi aberta a candidatura juntei os documentos necessarios e candidatei. Com a publicação do resultado provisório eu estava na segunda posição dentre as pessoas que estavam na reserva, mas felizmente, veio a ser aumentado as vagas para o mestrado (de 2 para 4) fui colocado nos beneficiários da bolsa para faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto na publicação do resultado final. 
Durante todo o processo da candidatura até a minha chegada e estadia em Angola, tive um bom acompanhamento dos elementos do Projeto, facto que quero desde já agradecer, pois vi neles, pessoas com espírito de muita ajuda e muito humanismo! Deixo o meu muito obrigado a todos e cada um de vós. 
Que este Projeto ajude mais pessoas que queiram prosseguir o curso superior mas que pela limitação financeira não conseguem e que os cursos abranjam outras áreas de formação, isto é, que não seja limitado só em Direito.
As pessoas que já candidataram ao Projeto mas que não conseguiram, não disitam. E aquelas que ainda não concorreram, aproveitam esta oportunidade para poderem viver a experiência do Projeto Intra África.
   
 
 
 
 
 
 
Depoimento de Eminalda Mondlane
 
   Eminalda.jpg   Boa noite
Eu sou a Eminalda Mondlane, de Moçambique, provincia de Gaza onde fiz o ensino primário ate ao secundário.
No entanto fiz a minha licenciatura em Direito na provincia de sofala, cidade da Beira na Universidade Zambeze que para mim considero mais que uma universidade construí la uma grande familia, é o lugar onde adquiri várias experiencias.
Logo apôs terminar a licenciatura comecei um estágio na ordem dos advogados e tive como patrona a Dra Stela Santos, ela que abriu as portas do seu Escritório para mim e me ajudou muito durante esse periodo e sem saber abriu tambem o caminho para que eu podesse estar onde estou hoje.
Falando da bolsa e do programa de mobilidade , a primeira impressao que tive foi atraves da Dra Stela pois foi ela quem partilhou o link da candidatura e incentivou muito para que me candidatasse.
O processo de candidatura foi normal, tenso tambem, uma experiencia boa na vida, Um novo desafio, quando recebi o resultado da aprovação foi uma grande alegria e orgulho para mim em particular e para a minha familia.
Espero conseguir me formar e conseguir o grau com honra, que em nome de Deus as portas do emprego se abram e com certeza poder ajudar o meus país e o mundo com tudo que vou aprender.
Aconselho a todos a se candidatarem ao programa de mobilidade Intra-Pax  Lusofona, pois traz uma mais valia nas nossas vidas e é uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional.
   

 

 

Depoimento de Ismael Mané

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Sou Ismael Malam Mané, nascido a 1 de Maio de 1992, natural de Bissau, filho de Fodé Abulai Mané e de Mariatu Mané, licenciado em Direito pela faculdade de Direito de Bissau no ano 2017, advogado estagiário e professor universitário.

Foi sempre o meu sonho fazer mestrado. Tudo isto fez-me estudar para ter uma média no final de curso que me permitisse ingressar o corpo docente da Faculdade e ter a possibilidade de conseguir uma bolsa de mestrado para Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Não aconteceu infelizmente por falta de verba por parte da minha Faculdade.

No mesmo ano, fiz um estágio profissional no gabinete jurídico e contencioso do Banco da África Ocidental (BAO) durante três (3) meses, depois um estágio de advocacia orientado por Prof. Doutor Fodé Mané. Em 2018 fui convidado pela coordenação do curso de Direito da Universidade Lusófona da Guiné para reger a cadeira do Direito internacional Privado no 1° semestre e depois no 2° semestre, o Direito Bancário.

Tive conhecimento do programa INTRA-ÁFRICA através de um colega, também Bolseiro, Dr. Dagmar Albano. Logo depois da abertura da candidatura juntei todos os documentos obrigatórios e enviei para o e-mail disponibilizado. Depois de ser seleccionado senti-me que esta é a minha oportunidade.

Agradeço o programa INTRA-ÁFRICA e a todos os parceiros. Hoje pertenço esta família, espero que não sejamos (bolseiros) os últimos, que o programa abra mais candidaturas, porque como nós, há estudantes que queiram fazer os estudos de pós-graduação e por causa das condições financeiras não conseguem e esta pode ser a oportunidade.

Aconselho a todos os estudantes a ficarem atentos, porque INTRA-ÁFRICA é sim, uma oportunidade de estudos.

Obrigado.